{"id":3297,"date":"2017-06-22T09:56:59","date_gmt":"2017-06-22T12:56:59","guid":{"rendered":"https:\/\/bmj.com.br\/?p=3297"},"modified":"2017-06-22T09:57:18","modified_gmt":"2017-06-22T12:57:18","slug":"temer-sobrevive-no-planalto-ja-a-reforma-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bmj.com.br\/en\/temer-sobrevive-no-planalto-ja-a-reforma-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Temer sobrevive no Planalto. J\u00e1 a reforma da Previd\u00eancia\u2026"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3298\" style=\"width: 690px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3298\" class=\"size-full wp-image-3298 aligncenter\" src=\"https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Temer-sobrevive-no-Planalto.-J\u00e1-a-reforma-da-Previd\u00eancia\u2026.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Temer-sobrevive-no-Planalto.-J\u00e1-a-reforma-da-Previd\u00eancia\u2026.jpg 680w, https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Temer-sobrevive-no-Planalto.-J\u00e1-a-reforma-da-Previd\u00eancia\u2026-255x170.jpg 255w, https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Temer-sobrevive-no-Planalto.-J\u00e1-a-reforma-da-Previd\u00eancia\u2026-177x118.jpg 177w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><p id=\"caption-attachment-3298\" class=\"wp-caption-text\">Um governo bombardeado: o presidente Temer deve usar os pr\u00f3ximos dois meses para reorganizar sua base no Congresso. (REUTERS\/Paulo Whitaker)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00a0noite de 9 de junho foi de comemora\u00e7\u00e3o para o presidente Michel Temer. Perto das 23 horas, pouco depois de ser absolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das acusa\u00e7\u00f5es de caixa dois e abuso de poder pol\u00edtico na campanha eleitoral para a Presid\u00eancia em 2014, Temer participou do jantar de anivers\u00e1rio do presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A festa incluiu m\u00fasica ao vivo e os tradicionais charutos que o presidente costuma sorver em momentos de descontra\u00e7\u00e3o. Na sa\u00edda, declarou a jornalistas que continuaria \u201cpacificando o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>De fato, Temer tem motivos para respirar um pouco mais aliviado ap\u00f3s o resultado favor\u00e1vel colhido na Justi\u00e7a Eleitoral \u2014 e que deixou o pa\u00eds boquiaberto dado o farto material que dep\u00f5e contra o presidente e sua antecessora e parceira de chapa eleitoral, Dilma Rousseff. H\u00e1 tr\u00eas semanas, quando o Brasil inteiro assistiu apreensivo ao conte\u00fado da dela\u00e7\u00e3o premiada dos irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista, donos do frigor\u00edfico JBS, a sensa\u00e7\u00e3o generalizada era a de que o governo estava com os dias contados. Agora, com a absolvi\u00e7\u00e3o de suas contas de campanha, o jogo virou \u2014 pelo menos por ora \u2014 em favor da perman\u00eancia de Temer at\u00e9 o fim do mandato, em dezembro de 2018. Para a consultoria de risco pol\u00edtico Eurasia, a chance de o presidente seguir adiante aumentou de 30% para 70%.<\/p>\n<p>O encerramento do cap\u00edtulo no TSE pode ser visto como a parte f\u00e1cil dos muitos problemas a ser enfrentados por um governo bombardeado quase diariamente. Em Bras\u00edlia, a express\u00e3o \u201cfato novo\u201d tornou-se uma das preferidas dos pol\u00edticos. Eles se referem ao avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato e das acusa\u00e7\u00f5es vindas da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, capitaneada por Rodrigo Janot. Nas pr\u00f3ximas semanas, \u00e9 dado como certo que Janot apresentar\u00e1 uma den\u00fancia criminal contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF) em decorr\u00eancia dos fatos relatados pelos irm\u00e3os Batista, com potencial de levar ao afastamento do presidente. Mas, para ser apreciada pela Corte, a den\u00fancia precisa ser autorizada por dois ter\u00e7os da C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 prov\u00e1vel que Temer se dedique diuturnamente at\u00e9 o recesso parlamentar, em 17 de julho, \u00e0s articula\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para garantir que a den\u00fancia seja rejeitada pelos deputados. No Pal\u00e1cio do Planalto, o ideal \u00e9 angariar os 172 votos necess\u00e1rios para liquidar quanto antes a quest\u00e3o. A essa den\u00fancia, outras acusa\u00e7\u00f5es podem ser adicionadas. A pris\u00e3o de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer, aumentou os boatos de uma poss\u00edvel dela\u00e7\u00e3o premiada. O operador L\u00facio Funaro, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao PMDB, parece disposto a falar com as autoridades sobre o que sabe.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda \u201cfatos novos\u201d que, se n\u00e3o t\u00eam o poder de incriminar o presidente, causam grande constrangimento e antipatia popular, como a recente den\u00fancia de que Temer e fam\u00edlia teriam embarcado no jato particular dos irm\u00e3os Batista em 2011. \u201cO dano \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o desse governo \u00e9 grande e deve continuar assim, porque h\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es contra o pr\u00f3prio presidente\u201d, diz o cientista pol\u00edtico Rafael Cortez, da consultoria Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>O presidente sobrevive no Planalto como pode, mas dificilmente conseguir\u00e1 recuperar o capital pol\u00edtico anterior ao vazamento do conte\u00fado da dela\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Batista. Desde o dia 17 de maio, quando as grava\u00e7\u00f5es vieram a p\u00fablico, a base aliada no Congresso perdeu quatro partidos e 63 dos 374 deputados. Em rea\u00e7\u00e3o, Temer montou uma extensa agenda de encontros com 67 deputados e 12 senadores, al\u00e9m de governadores, prefeitos, empres\u00e1rios e sindicalistas e o ex-presidente Jos\u00e9 Sarney. O governo tamb\u00e9m acelerou a libera\u00e7\u00e3o de emendas parlamentares na tentativa de comprar apoio pol\u00edtico: nos quatro primeiros meses do ano, soltou quase 544 milh\u00f5es de reais para atender aos interesses de deputados federais.<\/p>\n<p>Apenas de 1o de maio a 8 de junho, outros 742 milh\u00f5es de reais foram liberados, segundo um levantamento do Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental de Bras\u00edlia especializada no acompanhamento de gastos p\u00fablicos. \u00c9 prov\u00e1vel que abrir os cofres da Uni\u00e3o num ano pr\u00e9-eleitoral ajude Temer a conquistar a simpatia de alguns deputados que buscam agradar a prefeitos e correligion\u00e1rios em seus redutos.<\/p>\n<p>Mas, ainda assim, a for\u00e7a-tarefa para tirar o governo da enorme pane pol\u00edtica n\u00e3o conseguiu evitar uma crise interna no PSDB, o maior aliado de Temer, sobre a perman\u00eancia na base aliada. O partido marcou uma reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria de seus caciques e, na noite de 12 de junho (data de fechamento desta edi\u00e7\u00e3o), a decis\u00e3o foi de manter o apoio ao governo \u2014 apesar de uma pesquisa ter mostrado que 76% dos eleitores do partido apoiam o desembarque do governo. Segundo declarou o senador paulista Jos\u00e9 Serra, uma revis\u00e3o do posicionamento do PSDB n\u00e3o estaria descartada caso surgissem \u201cfatos novos\u201d.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Compet\u00eancia reconhecida<\/h3>\n<p>Qual \u00e9 o custo para a economia da continuidade do governo Temer em uma vers\u00e3o an\u00eamica? At\u00e9 a crise pol\u00edtica deflagrada pelas grava\u00e7\u00f5es da JBS, Temer vinha colhendo resultados surpreendentemente positivos para um mandato tamp\u00e3o e posterior ao traum\u00e1tico processo de impeachment de Dilma Rousseff. A come\u00e7ar pela montagem de uma equipe econ\u00f4mica com compet\u00eancia reconhecida pelo mercado e que, com medidas como a aprova\u00e7\u00e3o de um limite aos gastos p\u00fablicos e o estabelecimento de metas fiscais fact\u00edveis, foi respons\u00e1vel por resgatar a confian\u00e7a dos investidores nos rumos de uma economia brasileira que estava com a reputa\u00e7\u00e3o manchada por anos de mentalidade estatizante e pelas barbeiragens fiscais de Dilma.<\/p>\n<p>Mais do que isso, o governo Temer estava em via de executar a mais ampla agenda de reformas desde o primeiro mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, encerrado em 1998. Pelo cronograma inicial do governo, o plano era aprovar no Congresso tr\u00eas mudan\u00e7as abrangentes \u2014 da Previd\u00eancia, tribut\u00e1ria e trabalhista \u2014 at\u00e9 o primeiro trimestre de 2018, quando deputados e senadores j\u00e1 estar\u00e3o com a cabe\u00e7a na campanha eleitoral. O calend\u00e1rio, j\u00e1 considerado bastante apertado por deputados e analistas antes da crise pol\u00edtica, ficou apertad\u00edssimo ap\u00f3s tr\u00eas semanas em que quase nada andou na \u00e1rea legislativa em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O \u00fanico avan\u00e7o foi o da reforma trabalhista. Ela j\u00e1 havia sido aprovada na C\u00e2mara antes da crise causada pela dela\u00e7\u00e3o de Joesley Batista, passou pela comiss\u00e3o de assuntos econ\u00f4micos do Senado em 6 de junho e, ao que tudo indica, ser\u00e1 aprovada no plen\u00e1rio em breve. O restante da agenda reformista subiu no telhado e n\u00e3o est\u00e1 claro se sair\u00e1 de l\u00e1 t\u00e3o cedo. O problema \u00e9 a menor disposi\u00e7\u00e3o de congressistas para franquear apoio a um governo tr\u00f4pego em projetos com alto custo pol\u00edtico justamente \u00e0 beira das elei\u00e7\u00f5es do ano que vem. \u201cO pa\u00eds perdeu uma oportunidade hist\u00f3rica de avan\u00e7ar em temas importantes para voltar a crescer\u201d, diz o cientista pol\u00edtico Fernando Sch\u00fcler, da escola de neg\u00f3cios Insper.<\/p>\n<p>Provavelmente, a maior prejudicada pela debilidade do governo Temer seja a aprova\u00e7\u00e3o de uma reforma da Previd\u00eancia que, de fato, diminua o fardo nas contas da Uni\u00e3o, de estados e de munic\u00edpios. Pelo calend\u00e1rio inicial do Pal\u00e1cio do Planalto, o texto deveria estar na reta final de tramita\u00e7\u00e3o em junho. Antes da crise, analistas j\u00e1 previam que a aprova\u00e7\u00e3o s\u00f3 sairia no segundo semestre.<\/p>\n<p>A d\u00favida se o governo cairia ou n\u00e3o parou as discuss\u00f5es do tema, que dever\u00e3o ser retomadas somente em agosto. E, uma vez reiniciadas as conversas, a expectativa \u00e9 que seja com um texto mais t\u00edmido do que o discutido antes da crise pol\u00edtica no Congresso, que j\u00e1 havia dilu\u00eddo cerca de 30% da economia prevista na proposta original elaborada pela equipe econ\u00f4mica. A tend\u00eancia \u00e9 que se consolide uma reforma bem mais enxuta, calcada basicamente na aprova\u00e7\u00e3o da idade m\u00ednima para aposentadoria de 65 anos para homens e 62 para mulheres e numa regra de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vai ter de come\u00e7ar do zero\u201d, diz o cientista pol\u00edtico Juliano Griebeler, da consultoria Barral M Jorge.<\/p><\/blockquote>\n<h3><\/h3>\n<h3>Mudan\u00e7as pontuais<\/h3>\n<p>Caso at\u00e9 mesmo a aprova\u00e7\u00e3o de uma vers\u00e3o m\u00ednima fique invi\u00e1vel, \u00e9 prov\u00e1vel que o governo Temer edite medidas provis\u00f3rias para avan\u00e7ar nos trechos da reforma que independem de mudan\u00e7a constitucional, como regras mais duras para a concess\u00e3o da aposentadoria rural e de contribui\u00e7\u00e3o de servidores inativos. Desse modo, o governo poderia aprovar os textos por maioria simples no Congresso \u2014 e n\u00e3o de dois ter\u00e7os dos congressistas, como \u00e9 o caso de altera\u00e7\u00f5es na Carta Magna. As mudan\u00e7as pontuais estariam longe de resolver o enorme rombo causado pela seguridade social nas contas p\u00fablicas do pa\u00eds \u2014 em 2016, o d\u00e9ficit atingiu o recorde de 150 bilh\u00f5es de reais. Ainda assim, elas poderiam trazer ganhos no longo prazo. Nas contas do banco Ita\u00fa BBA, se trechos da reforma passarem por medida provis\u00f3ria, o impacto em 2025, quando as medidas estar\u00e3o em pleno vigor, ser\u00e1 de 0,4% do PIB, algo como 44 bilh\u00f5es de reais de economia para os cofres da Uni\u00e3o. Do jeito como est\u00e1 hoje no Congresso, a reforma traria um ganho de 1,4% do PIB, ou 155 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>Uma segunda estrat\u00e9gia que o governo Temer provavelmente usar\u00e1 na tentativa de recuperar o vigor reformista \u00e9 investir numa agenda de microrreformas que enfrentam menos resist\u00eancia de congressistas. S\u00e3o medidas que, entre outros objetivos, v\u00e3o mirar na expans\u00e3o da produtividade da m\u00e3o de obra. Previsto inicialmente para maio, um pacote de medidas nessa linha est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o no Minist\u00e9rio da Fazenda, sob a batuta do economista Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello, doutorado pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e que era professor titular na escola de neg\u00f3cios Insper e professor convidado na Universidade Harvard antes de ir para o governo (leia a entrevista na p\u00e1g. 45). Est\u00e3o nos planos, tamb\u00e9m, iniciativas para reduzir o desemprego, como o aumento na concess\u00e3o de cr\u00e9dito do BNDES a pequenas e m\u00e9dias empresas, maiores geradoras de postos de trabalho.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s dificuldades adicionais que um governo Temer mais fraco vai trazer ao pa\u00eds at\u00e9 2018, uma coisa \u00e9 certa: a economia deve continuar longe do precip\u00edcio em que se encontrava em 2015, em meio \u00e0 crise pol\u00edtica que culminou no impeachment de Dilma. \u201cO mercado se apoia na tese de que a equipe econ\u00f4mica j\u00e1 entregou bons resultados e est\u00e1 isolada da crise do resto do governo\u201d, diz o economista Celso Toledo, diretor da consultoria LCA.<\/p>\n<p>Um bom term\u00f4metro de como os investidores at\u00e9 agora est\u00e3o com os nervos controlados \u00e9 a volatilidade do risco de investir no Brasil medido pelo CDS, um seguro pago sobre a venda de t\u00edtulos no exterior. Logo ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o da dela\u00e7\u00e3o da JBS, o risco aumentou de 60 pontos para 265. De l\u00e1 para c\u00e1, vem caindo \u2014 estava em 238 pontos em 12 de junho. A cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, que bateu 3,43 reais em 18 de maio, agora j\u00e1 flutua na casa dos 3,30 reais, n\u00edvel mais perto ao de antes da crise pol\u00edtica, que era de 3,10 reais.<\/p>\n<p>A relativa calma pode virar uma tormenta mais s\u00e9ria, caso ocorram novas den\u00fancias comprometedoras contra Temer. Um alento \u00e9 saber que, mesmo nos cen\u00e1rios mais pessimistas para os pr\u00f3ximos anos, os indicadores econ\u00f4micos s\u00e3o melhores do que os dos dois \u00faltimos anos. \u201cDe qualquer forma, a economia continua com vetores positivos: h\u00e1 queda da taxa de juro e da infla\u00e7\u00e3o, liberando alguma renda para ativa\u00e7\u00e3o do consumo e de setores hoje parados\u201d, diz Pedro Passos, s\u00f3cio da fabricante de cosm\u00e9ticos Natura. \u201cTenho a impress\u00e3o de que essa in\u00e9rcia continua, mas depende do prolongamento da crise pol\u00edtica.\u201d Para a consultoria 4E, numa hip\u00f3tese de que novas den\u00fancias provoquem a queda de Temer, e um novo l\u00edder n\u00e3o consiga unir o pa\u00eds em prol da agenda reformista, a queda do PIB seria de 0,5% em 2017 e de 0,4% em 2018. \u00c9 sem d\u00favida um mau desempenho, mas melhor do que a m\u00e9dia de 3,5% de contra\u00e7\u00e3o dos dois \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel, de manuten\u00e7\u00e3o de Temer e de uma modesta agenda reformista, com alguma melhora na Previd\u00eancia, a economia cai 0,1% neste ano e volta a crescer 0,4% em 2018. Na premissa otimista, em que Temer mant\u00e9m a base pol\u00edtica e segue o calend\u00e1rio de reformas pr\u00e9-crise, h\u00e1 uma expans\u00e3o acumulada de 2,9% do PIB at\u00e9 o final do ano que vem.<\/p>\n<p>\u00c9 improv\u00e1vel que o presidente Temer consiga transformar os sinais mais robustos da economia em capital pol\u00edtico para vitaminar seu governo. H\u00e1, no entanto, raz\u00f5es para crer que o pr\u00f3ximo presidente continue o que se tenta fazer agora. \u201cA agenda de reformas vai seguir com mais for\u00e7a depois de 2018\u201d, diz o cientista pol\u00edtico Bol\u00edvar Lamounier. A combina\u00e7\u00e3o de despesas p\u00fablicas crescentes com a lei para limitar a expans\u00e3o real dos gastos dever\u00e1 pressionar os pol\u00edticos eleitos em 2018 a pensar em maneiras de tornar o Estado brasileiro mais eficiente e menos perdul\u00e1rio.<\/p>\n<p>Problemas como o rombo na Previd\u00eancia e as dificuldades causadas \u00e0s empresas por um sistema tribut\u00e1rio bizantino raramente foram discutidos de forma t\u00e3o intensa por c\u00fapulas partid\u00e1rias e pela sociedade como nos \u00faltimos 12 meses. \u201cPa\u00edses frequentemente passam por ciclos reformistas e, muitas vezes, as falhas de um governo formam as bases para que o pr\u00f3ximo governante retome a agenda de reformas\u201d, diz Christopher Garman, diretor da consultoria Eurasia.<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o de Temer em fazer de tudo para recuperar o capital pol\u00edtico e n\u00e3o ser desalojado antes da hora pode ser uma m\u00e1 not\u00edcia para quem torce pela celeridade na moderniza\u00e7\u00e3o da economia brasileira. Mas, para al\u00e9m de 2018, a vontade de fazer mudan\u00e7as estruturais no pa\u00eds tem tudo para prosseguir.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A\u00a0noite de 9 de junho foi de comemora\u00e7\u00e3o para o presidente Michel Temer. 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