{"id":50691,"date":"2017-07-21T11:00:22","date_gmt":"2017-07-21T14:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/bmj.com.br\/?p=3461"},"modified":"2017-07-21T11:00:22","modified_gmt":"2017-07-21T14:00:22","slug":"china-como-economia-de-mercado-por-que-o-brasil-se-assustou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bmj.com.br\/es\/china-como-economia-de-mercado-por-que-o-brasil-se-assustou\/","title":{"rendered":"China como economia de mercado: por que o Brasil se assustou?"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3463 aligncenter\" src=\"https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/China-como-economia-de-mercado-por-que-o-Brasil-se-assustou.jpg\" alt=\"\" width=\"744\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/China-como-economia-de-mercado-por-que-o-Brasil-se-assustou.jpg 744w, https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/China-como-economia-de-mercado-por-que-o-Brasil-se-assustou-300x161.jpg 300w, https:\/\/bmj.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/China-como-economia-de-mercado-por-que-o-Brasil-se-assustou-177x95.jpg 177w\" sizes=\"(max-width: 744px) 100vw, 744px\" \/><br \/>\n<em>Texto de <a href=\"\/?p=1620\">Edgard Vieira<\/a><\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMat\u00e9ria publicada no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/brasil\/5044278\/china-agradece-por-decisao-que-pais-nao-tomou\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Valor<\/a>\u00a0ontem (19) mostrou que as autoridades brasileiras ficaram surpresas com a afirma\u00e7\u00e3o do Embaixador chin\u00eas junto \u00e0 OMC, Zhang Xiangchen, de que o Brasil teria sinalizado que reconheceria a China como economia de mercado e que outros Membros da Organiza\u00e7\u00e3o deveriam seguir o mesmo caminho. E o espanto se justifica, tanto pela inveracidade da declara\u00e7\u00e3o em si, quanto pelo impacto que tal decis\u00e3o traria para a ind\u00fastria nacional.<br \/>\nE para entender a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o o contexto no qual ela se insere.\u00a0A partir do dia 11 de dezembro de 2016, 15 anos ap\u00f3s a ascens\u00e3o da China \u00e0 OMC, parte de um artigo do Protocolo de Acess\u00e3o da China \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o deixou de valer. E esse artigo trata justamente de um ponto muito importante para o com\u00e9rcio internacional: a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo alternativo em investiga\u00e7\u00f5es de defesa comercial contra exportadores chineses. Nunca houve consenso acerca do que aconteceria ap\u00f3s essa altera\u00e7\u00e3o e os debates se tornaram muito calorosos. Os chineses defendem que o m\u00e9todo alternativo, que na pr\u00e1tica aumenta em muito o n\u00famero de medidas antidumping aplicadas a seus produtos, n\u00e3o poderia mais ser utilizado. Mas os europeus e americanos dotam posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, de que o m\u00e9todo continua v\u00e1lido, devido \u00e0 grande interven\u00e7\u00e3o estatal chinesa na economia.<br \/>\nEntendido o plano de fundo, \u00e9 importante ficar claro que o Brasil n\u00e3o fez nenhuma declara\u00e7\u00e3o oficial na \u00faltima d\u00e9cada afirmando que reconheceria a China como economia de mercado depois que parte do Artigo caducasse, a despeito da press\u00e3o exercida pelo pa\u00eds asi\u00e1tico.\u00a0E isso justifica a primeira raz\u00e3o para o espanto das autoridades brasileiras. Resumindo: como diz o jarg\u00e3o popular, o Embaixador chin\u00eas jogou verde para tentar colher maduro. O espanto das autoridades brasileiras mostra que n\u00e3o foi bem isso o que aconteceu.<br \/>\nA segunda (e principal) raz\u00e3o para o \u201csusto\u201d tomado pelas autoridades brasileiras se d\u00e1 pelo grande impacto que o reconhecimento traria para a ind\u00fastria nacional. Atualmente, a China \u00e9 o principal alvo das medidas antidumping aplicadas pelo Brasil. Nesse sentido, como mostra a figura abaixo, a porcentagem dessas medidas aplicadas a produtos chineses (33,1%) \u00e9 muito maior do que o peso do pa\u00eds nas importa\u00e7\u00f5es totais do Brasil (17,2%). A compara\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, que tem um peso parecido no total das importa\u00e7\u00f5es brasileiras (17,5%) e contra o qual h\u00e1 uma aplica\u00e7\u00e3o bem menor de medidas antidumping em rela\u00e7\u00e3o ao total aplicado pelo Brasil (8,7%), deixa claro como a utiliza\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo alternativo resulta em um n\u00famero muito maior de medidas aplicadas contra a China.<\/p>\n<div class=\"slate-resizable-image-embed slate-image-embed__resize-full-width\" data-imgsrc=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/AAEAAQAAAAAAAAp0AAAAJGYyNGU0YjQ3LTY0Y2YtNGU0Ny1hMjE4LWY5MDFmN2ZlNmVmNQ.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/AAEAAQAAAAAAAAp0AAAAJGYyNGU0YjQ3LTY0Y2YtNGU0Ny1hMjE4LWY5MDFmN2ZlNmVmNQ.png\" \/><\/div>\n<p>E uma mudan\u00e7a no m\u00e9todo utilizado nas investiga\u00e7\u00f5es, que seria necess\u00e1ria caso haja o reconhecimento por parte do Brasil, poderia trazer impactos significativos para a economia brasileira.\u00a0<a href=\"\/?p=1378\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Estudo<\/a>\u00a0da Barral M Jorge estima um preju\u00edzo de R$ 410 bilh\u00f5es de 2017 a 2020 em caso de inexist\u00eancia das medidas aplicadas aos produtos chineses ou de redu\u00e7\u00e3o da sobretaxa aplicada de tal modo que n\u00e3o seja um empecilho para as importa\u00e7\u00f5es. O estudo estima ainda que 866 mil postos de trabalho possam ser extintos no pa\u00eds nesses quatro anos caso tais condi\u00e7\u00f5es se apliquem aos produtos originados da China.<br \/>\nCom esses dados fica clara a relev\u00e2ncia do debate acerca do m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o das medidas de defesa comercial contra a China. Ademais, refor\u00e7am que, para que n\u00e3o haja \u201csustos\u201d futuros, qualquer decis\u00e3o do governo brasileiro, antes ou depois da defini\u00e7\u00e3o das disputas em curso na OMC, precisa ser debatida com os setores dom\u00e9sticos que ser\u00e3o (amplamente) afetados em caso de mudan\u00e7a na forma de investiga\u00e7\u00e3o atual.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/goo.gl\/92a9u3\">(*) Texto original do LinkedIn<\/a><\/strong><br \/>\n&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Edgard Vieira &nbsp; Mat\u00e9ria publicada no\u00a0Valor\u00a0ontem (19) mostrou que as autoridades brasileiras ficaram surpresas com a afirma\u00e7\u00e3o do Embaixador chin\u00eas junto \u00e0 OMC, Zhang Xiangchen, de que o&#8230;<\/p>","protected":false},"author":15,"featured_media":3463,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[60,59,288],"class_list":{"0":"post-50691","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-comercio-internacional","8":"tag-china","9":"tag-comercio-internacional","10":"tag-edgard-vieira"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>China como economia de mercado: por que o Brasil se assustou? 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