Entrevista exclusiva do Estadão com Welber Barral

Tendência é que as exportações continuem crescendo em 2018 e que as importações também tenham aumento, diz o ex-secretário Entrevista com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior.

Entrevista com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior

SÃO PAULO-SP, 27/09/2010 – ECONOMIA – SEMINÁRIO SOBRE CRESCIMENTO NO COMÉRCIO EXTERIOR – Momento em que Welber Barral (Secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento) discursa sua palestra.
FOTO: Ayrton Vignola/AE

Estado: O que explica o superávit da balança acima do esperado?

Welber Barral: Esperava-se um saldo de US$ 60 bilhões para o ano passado e foi ainda maior, porque tivemos aumento das exportações tanto em quantidade quanto em valor dos produtos. E as importações não se recuperaram tanto. Em parte, isso se deve à falta de sobressaltos na política de comércio exterior.

A queda nas importações não mostra que a indústria brasileira enfrentou dificuldades?

O Brasil ainda não superou o slogan do governo militar, que dizia que “exportar é o que importa”, mas a economia internacional é muito mais complexa do que isso. O fato de termos importado tão pouco no ano passado quer dizer que a indústria não está funcionando. A maior parte do que compramos do exterior é de insumos industriais. Em 2017 já houve um crescimento ante 2016, o que sinaliza uma retomada econômica.

O aumento das exportações também não se deveu à queda do mercado interno?

Sim. No ano passado, também aumentou a exportação de manufaturados, principalmente de veículos. As empresas se voltaram para exportação no ano passado, para compensar a queda do mercado interno, mas faltam políticas de incentivo para o exportador não abandonar o mercado externo quando o País voltar a crescer.

Que resultados podemos esperar para este ano?

Para 2018, o saldo esperado é de US$ 45 bi a US$ 50 bi, patamar parecido com o de 2016. Não há no horizonte nenhum cenário de crise à vista, o que tende a manter os preços das commodities estáveis. Podemos esperar até uma pequena elevação, mas sem a garantia de que a safra vai ser tão boa quanto a anterior.

 

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