Desafios para Romeu Zema

Por Victor Brandão

Passada a eleição de 2018, Zema precisa reorganizar as expectativas feitas durante a campanha, se quiser ter êxito no mandato e, consequentemente, lograr êxito na eleição de 2022, na medida que vai ser difícil cumprir todas as promessas.

A diferença entre o período eleitoral e o exercício do mandato estão se revelando. Após ter tecido críticas ao PSDB, convidou para integrar seu time nomes da legenda, como Custódio Mattos, para secretário de governo e Luiz Humberto, líder do governo na Assembleia Legislativa. Em termos administrativos, afirmou que teria somente 9 secretarias – atualmente são 12 pastas e que cortaria 80% de cargos comissionados – só diminuiu 9%. Simbolicamente, Zema tem mantido o mantra de diminuição do Estado: está vendendo aviões, veículos e, ineditamente, não mandou fazer a moldura do governador, que usualmente decora as repartições públicas.

Ademais, antes mesmo dos fatídicos 100 dias de governo, Zema já teve que gerenciar 3 grandes crises, oriundas da gestão passadas: 1) o rompimento da Barragem em Brumadinho, 2) o atraso no repasses de recursos aos municípios e 3) parcelamento dos salários dos servidores públicos.

Na Assembleia Legislativa, Zema vai ter que lidar com 4 blocos parlamentares, neste primeiro ano – em 2020 a formatação pode mudar. Essa divisão vai influenciar as negociações e votações de projetos. São os 4 Blocos:

O Novo, partido do governador Romeu Zema, se junta ao PSDB, PPS, PP, PSC, Avante, PSB, SD e PHS para formar a base governista. O bloco, denominado “Sou Minas Gerais”, será liderado pelo deputado Gustavo Valadares (PSDB) e terá 21 parlamentares.

A oposição, liderada pelo PT, terá também os partidos PR, Rede, Psol, Pros e PCdoB. O bloco, ainda sem denominação, terá o número mínimo previsto no Regimento Interno, que são 16 deputados. A liderança ainda não foi indicada. Isso deverá ser feito no prazo de cinco dias.

Foram constituídos, ainda, dois blocos intermediários, que congregam os parlamentares autodenominados independentes. O primeiro reúne MDB, PV, PRB, PDT, Pode e DC. Ainda sem nome e sem líder definido, esse bloco terá 20 deputados.

O segundo bloco, chamado “Liberdade e Progresso”, será liderado pelo deputado Cássio Soares (PSD). Além desse partido, integram o grupo PSL, PTB, Patri, PRP e DEM, com um total também de 20 deputados.

Eleições 2020

Apesar de ainda estar distante, o pleito municipal já está no horizonte dos políticos e será um claro indício da capacidade de articulação de Romeu Zema. Viabilizar a eleição de candidatos em um estado como Minas Gerais, com seus 853 municípios, é claramente um sinal do poder de mobilização de Zema e o resultado deste pleito já servirá como um indicativo para 2022.

Posto os desafios, caberá ao governador e sua equipe corresponder ao anseio dos 6.963.806 eleitores que depositaram nele a esperança de um novo tempo. A conferir.

Victor Brandão é Consultor de Relações Governamentais da BMJ. 

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