Eleições municipais 2016: 1º turno confirma o fim do ciclo de crescimento do PT

By 4 de outubro de 2016No Comments

O primeiro turno das eleições municipais realizadas no último domingo (2) alterou o equilíbrio das forças políticas no País. Como já havia sido previsto pela BMJ na reportagem do Financial Times, o PT teve uma redução de participação considerável nos municípios brasileiros. O Partido perdeu 59,4% dos municípios (passou de 630 para 256), enquanto o PSDB e o PMDB tiveram um crescimento de 15,3% (de 686 para 791) e 1,2% (de 1.015 para 1.027) respectivamente.

Os últimos acontecimentos políticos que tomaram conta do País – a exemplo do impeachment da ex-Presidente Dilma Rousseff e as investigações conduzidas pela força-tarefa da Lava-Jato – e principalmente a crise econômica delinearam sobremaneira os rumos das eleições municipais deste ano.

Uma das votações mais surpreendentes foi a vitória de João Doria (PSDB) à prefeitura de São Paulo já no 1º turno, com 53% dos votos válidos. É a primeira vez que o PT não chega ao segundo turno no município de São Paulo, maior colegiado eleitoral do Brasil.

“A eleição de Doria beneficia o PSDB, mas principalmente Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo e seu padrinho político. Diversos fatores explicam o sucesso de Doria no primeiro turno: a rejeição ao PT, a campanha de marketing apresentando Doria como um outsider, o apoio do governo de São Paulo, a coligação que garantiu um bom tempo de televisão e, principalmente, o fato dos partidos de esquerda terem se preocupado com o segundo colocado e esquecido de atacar Doria”, afirma o Consultor em Relações Governamentais da BMJ, Francisco Almeida.

O analista político da Barral M Jorge, Juliano Griebeler, afirmou que “o PT perdeu espaço nos municípios, e esta situação deve se repetir nas eleições de 2018. O PSDB foi o grande vitorioso, conseguindo crescer em 100 municípios com vitórias importantes em capitais”. “Entretanto, vale destacar que as chances de outsiders na corrida presidencial de 2018 existem, entretanto, outsiders só tem um bom desempenho se contarem com o suporte de políticos tradicionais e coligações partidárias por trás”, complementou o Analista.

Comparado às eleições de 2012, os gastos de campanha foram 1/3 menores neste ano. Em 2012, os candidatos registraram gastos de R$ 6,2 bilhões, enquanto em 2016, no mesmo período, os gastos registrados foram de R$ 2,1 bilhões.

55 municípios ainda disputarão o 2º turno. Destes, 18 são capitais. A votação está agendada para o dia 30 de outubro.

 

Núcleo de Análise de Risco Político da BMJ

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