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Os erros de Temer aumentam as chances de Dilma voltar?

By 14 de junho de 2016No Comments

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A cada erro de Michel Temer e nova evidência revelada pela Operação Lava-jato a pergunta é a mesma: como isso altera as chances de Dilma voltar?

O calendário do impeachment foi aprovado pela comissão especial que analisa o assunto no Senado Federal. Entre os dias 1 e 2 de agosto teremos uma decisão final a respeito de quem presidirá o país pelos próximos 2 anos e meio.

Até lá, muitas coisas podem acontecer.

Temer teve um começo conturbado, nomeou ministros envolvidos nos esquemas investigados pela justiça e sofreu duas baixas em apenas duas semanas de mandato. Apresentou medidas econômicas de longo prazo que foram bem recebidas e aguarda uma definição do impeachment  para apresentar as  medidas impopulares.

O presidente interino sabe que o processo de impeachment é uma corrida de longa distância com obstáculos, e não tiro rápido. Por isso, teve pressa em demonstrar a nova política econômica do governo, mas toma seu tempo para apresentar medidas que podem não ser bem recebidas pela base de apoio no Legislativo – principalmente pelo fato de ainda precisar do apoio do Senado para garantir a continuidade do seu governo.

Acontecimentos que desestabilizaram o governo nos primeiros dias podem ser esquecidos e revertidos até agosto. Da mesma forma, novas acusações e gravações podem colocar uma sombra sobre os resultados positivos esperados.

É com este segundo cenário que Dilma conta. A presidente acredita que quanto maior o tempo de duração do governo interino, maiores as chances de novas descobertas desgastarem a imagem de Temer, favorecendo, portanto, o seu retorno. A estratégia da presidente é acusar o impeachment de golpe, demonstrar que o processo avançou com a intenção de parar as investigações da Operação Lava-jato e antecipar a eleição presidencial. 

Entretanto, com esta estratégia, Dilma enfrenta dois grandes problemas:

  • Novas delações podem complicar o discurso de que não sabia dos esquemas de corrupção que ocorriam na Petrobras; e
  • A presidente não apresentou até o momento soluções para a crise econômica e uma agenda positiva para o seu possível retorno.

 

 O que fará com que Dilma, caso retorne, tenha sucesso onde antes falhou?

 

Apenas acusar o processo de golpe não será suficiente para reverter os votos no Senado. Ao chegar o momento de decidir o destino da presidente, os senadores considerarão quais as chances de Dilma ter um melhor desempenho que Temer à frente do país. Caso calculem que Dilma não será capaz de recuperar a economia e restabelecer um diálogo com o Congresso, votarão a favor do impeachment, independentemente da existência ou não de crime de responsabilidade.

A retomada do pedido de novas eleições veio tardiamente. Se Dilma tivesse apresentado esta opção antes da aprovação do impeachment teria mais chances de ser aceita. Entretanto, novas eleições sem uma reforma política efetiva e na ausência de lideranças em que o país se encontra traria poucos resultados efetivos. 

No momento, o cenário mais provável ainda é o afastamento definitivo da presidente pelo Senado, pois os erros de Temer pesarão menos nesta decisão do que a dificuldade que Dilma encontra em apresentar uma perspectiva positiva para o governo em seu retorno.

 

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Sobre o assunto, Juliano Griebeler também falou com as revistas americanas Time Magazine e Americas Quartely:

How Brazil’s Deepening Crisis Could Rescue Dilma Rousseff

Not Impossible: Could Rousseff Return as Brazil’s President?

 

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